Cirurgia bariátrica: saiba quando ela pode salvar a sua vida

13 de março de 2017

Alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos são mandamentos essenciais para uma boa saúde e, geralmente, são o suficiente para que uma pessoa mantenha seu peso adequado. Mas há casos em que o desequilíbrio entre o consumo e o gasto calórico levam ao excesso de peso e, inclusive, podem haver outras doenças associadas ou até mesmo agravadas pelo alto nível de gordura corporal. Esses pacientes passam a exigir medidas mais rigorosas, inclusive de ordem cirúrgicas. E olha, as doenças relacionadas à obesidade são várias: hipertensão arterial, diabetes tipo 2, apnéia do sono, dislipidemia (aumento da gordura no sangue), esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), doença coronariana, osteoartrites são apenas algumas delas. E é para casos assim, que a obesidade e suas complicações colocam a vida em risco, que é indicada a cirurgia bariátrica e metabólica, também conhecida como gastroplastia redutora.

Conforme explica o cirurgião do Aparelho Digestivo Mário Marcos Lukschal Barbosa, o parâmetro mais usado para definir a obesidade é o Índice de Massa Corporal (IMC). Para calculá-lo, basta dividir o peso (kg) pelo quadrado da altura em metros (IMC = peso / altura x altura). “Os pacientes com IMC maior que 35kg/m² (grau II), quando associado a comorbidades, ou IMC maior que 40kg/m² (grau III), são os principais candidatos à cirurgia. O processo de autorização exige exames e as avaliações médicas prévias para definir se a cirurgia bariátrica pode realmente trazer benefícios ao paciente. Infelizmente, esse serviço não é disponibilizado pelo SUS em nossa região”, explica.

As indicações seguem protocolos e orientações definidos pelo Conselho Federal de Medicina e sociedades médicas que abordam o grave problema da obesidade no Brasil. “O tratamento para obesidade é, inicialmente, clínico, incluindo reeducação alimentar, exercícios físicos regulares, uso de medicação e acompanhamento médico rigoroso, para conscientizar a necessidade de mudança de estilo de vida”, argumenta. Quando a obesidade provoca graves danos à saúde e o tratamento clínico se mostra ineficaz, a cirurgia é indicada. “Antes de ser operado, o paciente passa por avaliação e acompanhamento criterioso de toda equipe interdisciplinar”, explica o cirurgião.

O que muda na vida do paciente

Uma melhora importante da saúde e até mesmo a cura de algumas doenças associadas, são alguns dos benefícios da cirurgia bariátrica e metabólica em conjunto com a dieta adequada e exercícios físicos. “Podem ocorrer melhora na hipertensão arterial, diabetes, doença do refluxo gastroesofágico, apnéia do sono, dores articulares, diminuição do colesterol no sangue, entre outras”, detalha Dr. Mário Lukschal. Também há uma redução significativa dos riscos para infarto agudo do miocárdio e outras doenças, que podem ser fatais. “Com a perda de peso, o paciente consegue fazer coisas que antes não podia, devido à falta de capacidade para recuperar o fôlego ou dor nas articulações. Cerca de 95% dos pacientes relataram que obtiveram uma melhor qualidade de vida”, garante o cirurgião.

Os primeiros resultados já aparecem logo que o paciente começa a perder peso e, portanto, no primeiro mês de pós-operatório. Mas é importante frisar que cirurgia bariátrica não é estética ou milagrosa, e sim, um tratamento para uma grave doença que afeta todo o corpo. “Como toda cirurgia, deve-se ter cautela na indicação do procedimento, uma vez que a operação apresenta riscos de complicações imediatas e possibilidade de desnutrição a longo prazo, o que exige o acompanhamento regular com uma equipe especializada em obesidade, antes e depois”, alerta.

Os riscos são os mesmos de outras cirurgias abdominais. “Embora muito raramente, a cirurgia pode gerar complicações, como infecções, tromboembolismo (entupimento de vasos sanguíneos), deiscências (separações) de suturas, fístulas (desprendimento de grampos), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas), pneumonia e até mesmo a morte. A complicação tardia mais comum é a desnutrição, que pode ser evitada por um acompanhamento médico regular e correção de algumas carências de vitaminas e nutrientes que possam surgir”, lista.

Os tipos de cirurgias bariátricas se diferenciam pelo mecanismo de funcionamento. “Existem três procedimentos básicos da cirurgia bariátrica e metabólica:  restritivos (diminuem a quantidade de alimentos que o estômago é capaz de comportar), disabsortivos (reduzem a capacidade de absorção do intestino e técnicas mistas (pequeno grau de restrição e desvio curto do intestino com discreta má absorção de alimentos). Eles podem ser feitos por abordagem aberta (por corte) ou por videolaparoscopia (menos invasiva, com pequenas incisões)”, pontua o cirurgião.

Atualmente, existem duas técnicas mais comuns aprovadas no Brasil, que correspondem a 90% das cirurgias, a gastroplastia com desvio intestinal (Bypass gástrico) e a gastrectomia vertical (Sleeve). “Segura e eficiente, a Bypass gástrico leva o paciente a perda de 40% a 45% do peso inicial. A gastrectomia vertical (Sleeve) provoca perda de peso comparável à do bypass gástrico. Relativamente nova, tem boa eficácia sobre o controle da hipertensão e de doenças dos lípides (colesterol e triglicérides). Há, ainda, outras técnicas aprovadas no país: a banda gástrica ajustável, que corresponde a 5% dos procedimentos, e apesar de não promover mudanças na produção de hormônios, é bastante segura e eficaz na redução de peso (20% a 30%) e tratamento do diabetes. Já na duodenal switch, 85% do estômago são retirados, mantendo a anatomia básica do órgão e sua fisiologia. O desvio intestinal reduz a absorção dos nutrientes, levando a perda de 40% a 50% do peso inicial”, finaliza Dr. Mário Lukschal.

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